Justiça exige detalhes sobre segurança de rede social

O secretário da Justiça estadual de Nova York, Andrew Cuomo, intimou o site de redes sociais Facebook, na segunda-feira, a prestar informações para uma investigação sobre a possibilidade de que esteja iludindo seus usuários ao veicular publicidade que o define como local em que estudantes de segundo grau e crianças podem se reunir em segurança contra predadores sexuais adultos.

A intimação solicita documentos relacionados à segurança que o Facebook promete aos seus 42 milhões de usuários e à maneira pela qual o site trata de queixas, disseram promotores públicos que trabalham para Cuomo. O pedido é parte de uma investigação na qual promotores estaduais se fizeram passar por adolescentes e postaram perfis no Facebook, recebendo propostas sexuais de adultos depois de apenas alguns dias no site, de acordo com as autoridades.

Não foi feita uma acusação formal à empresa, e a Facebook informou na segunda-feira que estava tratando com seriedade as alegações. O gabinete do secretário de Justiça está investigando se a publicidade e as declarações do Facebook aos seus usuários representam “prática voluntariamente enganosa”, sob as leis estaduais que proíbem práticas de negócios escusas, explicou Cuomo ontem em carta a Mark Zuckerberg, presidente-executivo do Facebook.

“A empresa tem o direito de operar qualquer site de web que deseje”, afirmou Cuomo em sua carta. “Mas não tem o direito de criar a impressão de que o site é seguro e de que responde prontamente a queixas quando essas declarações são imprecisas”.

Todos os 50 secretários estaduais de Justiça norte-americanos apelaram no ano passado para que sites como o Facebook, sediado em Palo Alto, Califórnia, e o MySpace, de porte muito maior, controlado pela News Corp., melhorem suas salvaguardas.

Richard Blumenthal, o secretário da Justiça de Connecticut, criticou o Facebook no mês passado por permitir que três criminosos sexuais registrados criassem perfis no site. Em julho, o MySpace anunciou ter removido perfis de 29 mil criminosos sexuais condenados de seu site.

Ao investigar as práticas de negócios do Facebook, o gabinete de Cuomo está adotando uma nova tática em seus esforços de melhorar a segurança nos sites de redes sociais, que adultos, adolescentes e crianças usam para postar fotos, links para sites de amigos e divulgar informações pessoais. Qualquer pessoa pode assinar gratuitamente, escolhendo um nome de usuário e senha e fornecendo um endereço de e-mail. Depois de inscrito, o usuário pode criar uma página pessoal.

O Facebook, que Zuckerberg criou quando estudava em Harvard, originalmente se distinguia do MySpace porque só permitia adesões de estudantes universitários, e mais tarde de estudantes secundários. Mas, a partir de 2005, o site começou a aceitar adesões generalizadas ¿ sem mudar a maneira pela qual se promove como lugar mais seguro e mais controlado do que sites concorrentes, alega o gabinete de Cuomo.

Em seu site, o Facebook se define como “ambiente confiável”, proíbe a divulgação de material pornográfico ou nocivo e promete aos pais que removerá fotos e material ofensivo e agirá de maneira correta com relação a quaisquer queixas.

Mas cerca de uma semana depois que um investigador do gabinete de Cuomo criou um perfil fictício de uma menina de 14 anos, em 30 de agosto, um homem de 24 anos enviou uma mensagem via Facebook pedindo “fotos nuas”, disse Cuomo.

O investigador, dessa vez alegando ser a mãe da menina fictícia, enviou um e-mail ao Facebook se queixando do pedido do homem. O Facebook respondeu que revisaria a mensagem e removeria quaisquer posts que violassem suas normas. Mas em sua carta Cuomo informa que, até segunda-feira, o site não havia tomado quaisquer providências, e que o perfil do homem de 24 anos continuava online.

Em outro caso, um investigador do gabinete de Cuomo criou perfis de uma adolescente de 13 anos e um adulto que escreveu a ela afirmando que “você tem um corpinho gostoso”. O investigador, se fazendo passar pela mãe da menina, encaminhou a mensagem ofensiva ao Facebook e exigiu que a empresa tomasse providências imediatas. Não houve resposta, disse Cuomo.

Os promotores não divulgaram detalhes sobre as datas das operações ou o número de perfis estabelecidos, e informaram que não divulgariam os endereços dos perfis no site porque a investigação continua, disse Jeffrey Lerner, diretor de comunicação da Secretaria da Justiça.

Em comunicado divulgado no domingo, o Facebook afirma que “estamos considerando com a maior seriedade a preocupação expressada pela Secretaria de Justiça de Nova York”.

“À medida que nosso serviço continua a crescer, o mesmo vale para a nossa responsabilidade junto aos usuários, e nosso dever de fornecer a eles as ferramentas necessárias a uma comunicação eficiente e segura”, afirmou a companhia.

O site do Facebook menciona cerca de uma dúzia de áreas de interesse. Uma delas é “sexualidade”, e clicar na área resulta em links para mais de 500 grupos de usuários, um dos quais intitulado “fiz sexo com uma gostosa ou gostoso do Facebook e tirei fotos pornô”.

Os usuários também têm criticado o Facebook. No mês passado, depois que o site anunciou a decisão de abrir os perfis de usuários a buscas de pessoas não associadas ao site, o Collegiate Times, jornal dos alunos da Universidade Tecnológica da Virgínia, objetou em editorial.

“Embora o Facebook tenha feito sua parte ao postar informações atualizadas sobre essa decisão em sua página inicial, o site também está contando com a ignorância dos usuários para garantir o sucesso desse recurso”, afirma o texto publicado em 18 de setembro. A mudança, afirma o editorial, deixou os estudantes “cansados do Facebook, e os fez desconfiar da administração do site”.
Fonte: The New York Times

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