[Filme] Dandelion – 2004

Um filme sobre adolescentes, angústias juvenis e amadurecimento, passado numa pequena cidade rural dos Estados Unidos. A idéia é batida, mas explorada com sensibilidade ímpar por Mark Milgard em Dandelion (2004), seu debute como produtor, roteirista e diretor.

O novo cineasta é favorecido pela escolha do belíssimo cenário – colinas recobertas de vegetação entrecortadas por um rio tranqüilo -, fotografado de forma deslumbrante por Tim Orr, e pela atuação da dupla de protagonistas – Vincent Kartheiser (Kids e os Profissionais) e Taryn Manning (8 Mile – Rua das ilusões) – que emprestam enorme realismo aos seus personagens.

Kartheiser vive Mason Mullich, um melancólico jovem que passa seus dias vagando sem rumo pela cidade onde vive e fantasiando um suicídio. Seus pais vivem um casamento de aparências, sem amor, sem conversa. Luke (Arliss Howard), o pai, trabalha numa fábrica e tenta uma vaga como vereador. Layla (Mare Winningham), a mãe, é uma dona de casa que tem sempre à mão pílulas e uma garrafa de bebida. Ambos secretamente culpam o casamento – e o próprio Mason – pela vida que nunca conseguiram viver. Tudo traduzido pelo diretor em poucas imagens, sem os exageros que costumam pontuar esse tipo de produção.

Para Mason, a vida começa a mostrar um certo sentido quando surge na cidade Danny (Manning), uma bonita e carismática nova vizinha. A conexão entre os dois é imediata. Como o garoto, ela vive à sombra da mãe (Michelle Forbes) que, superprotetora, acredita que está protegendo sua filha dos mesmos erros que ela cometeu no passado, ao ficar grávida muito nova. Obviamente, ela também culpa a menina pela sua vida presente.

Até esse momento, Dandelion parece previsível, mais uma história de amores e tragédias como tantas outras. Porém, um acontecimento dramático mexe com o cotidiano da família de Mason, tirando o rapaz de circulação durante dois longos anos. O filme tem aí seu melhor momento, ao mostrar o garoto não como um rebelde sem causa que enfrenta os pais e parte para o mundo, mas sim, ao trazer um elemento muito mais plausível: a aceitação. Afinal, “a vida continua”, como bem simboliza o título do filme, a planta conhecida por aqui como Dente-de-Leão. Numa estação, ela é uma bonita flor amarela. Noutra, torna-se quase uma bola de algodão que, quando soprada, libera suas sementes até ficar vazia e sem qualquer graça. Porém, resta a certeza de que outra estação virá e, com ela, uma nova flor…

Dandelion é razão suficiente para colocar o diretor como uma das maiores promessas do cinema independente americano da atualidade. Aliás, “indie” ele já é há muito tempo. Sócio da gravadora Lakeshore Records, Milgard descobriu talentos como as bandas Queens of the Stone Age e Grandaddy. Seu gosto musical também se reflete na excelente trilha de Dandelion e na música-tema, a hipnótica e belíssima “It’s a Wonderful Life”, do Sparklehorse.

Um filme raro, prova cabal da estupidez hollywoodiana que despreza a melhor produção cinematográfica dos Estados Unidos em favor do pipocão imbecilizante da semana.

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